CorsooEngenharia de Organização

8. O Ciclo de Vida do Projeto

Parte III — O Ciclo de Vida


Um projeto Corsoo atravessa sete fases sequenciais. Nenhuma fase pode ser pulada. Cada fase produz artefatos obrigatórios antes que a próxima possa começar.

1. DESENVOLVIMENTO  →  2. GREENLIGHT  →  3. PRÉ-PRODUÇÃO  →  4. PRODUÇÃO
                                                                  │
        7. ESTREIA  ←  6. CORTE FINAL  ←  5. PÓS-PRODUÇÃO (por fluxo)

A sequência é a do cinema, porque funciona: ninguém filma sem roteiro, ninguém monta sem filmar, ninguém estreia sem montar. O que muda entre as fases não é o ritmo — é o tipo de pergunta que o projeto responde. Desenvolvimento responde "o que é isto?". Greenlight responde "vale a pena?". Pré-produção responde "como será feito?". Produção responde "está sendo feito?". Pós-produção responde "está pronto de verdade?".


As sete fases e seus artefatos

# Fase Pergunta Artefatos obrigatórios Status do projeto
1 Desenvolvimento O que é isto? Logline, argumento, roteiro draft
2 Greenlight Vale a pena? Ficha de greenlight aprovada, Número Corsoo greenlit
3 Pré-produção Como será feito? Decupagem, storyboard, escaleta, plano de execução pre_production
4 Produção Está sendo feito? Passos entregues, kanban vivo, fluxo de caixa production
5 Pós-produção Está pronto de verdade? Validação tripla por fluxo post_production
6 Corte Final Está completo? Corte do diretor revisado, corte final aprovado final_cut
7 Estreia Está no mundo? Deploy, lançamento, entrega released

Há um oitavo status, terminal: archived — para projetos encerrados após a estreia ou abandonados de forma consciente em qualquer fase. Arquivar não apaga nada: o número, o histórico e os artefatos permanecem. Arquivamento é fim documentado, não deleção.


As transições

Status não muda sozinho nem por qualquer pessoa. Cada transição tem um gate e um responsável:

Transição Gate Quem aprova
draft → greenlit Ficha de greenlight completa + roteiro com teste do roteiro aprovado Produtor, com o dono/patrocinador
greenlit → pre_production Número registrado, time definido Produtor
pre_production → production Decupagem completa, plano de execução publicado Diretor
production → post_production Todos os fluxos entregues ou em pós-produção Automático (deriva dos fluxos)
post_production → final_cut Todos os fluxos passaram na validação tripla Diretor (corte do diretor)
final_cut → released Corte final aprovado + jornada do herói validada Produtor
qualquer → archived Decisão registrada com motivo Produtor

Note a assimetria deliberada: quem aprova dinheiro e compromisso (Produtor) não é quem aprova qualidade técnica (Diretor). Os papéis estão no Capítulo 15.

Não há transição de volta silenciosa. Um fluxo reprovado na pós-produção volta para produção — com contador de retrabalho registrado. Um roteiro alterado depois do greenlight passa por emenda (Capítulo 9). O projeto pode regredir; o que não pode é regredir sem registro.


Fase 1 — Desenvolvimento

O projeto é concebido e documentado antes de qualquer execução.

Nascem aqui os três degraus da escada de precisão: logline (a frase), argumento (a justificativa), roteiro (a narrativa completa). Nenhum orçamento, cronograma ou mapa de risco pode ser produzido antes do roteiro existir — orçamento sem roteiro é chute, e o Corsoo não emite chutes com carimbo.

É a fase mais barata do projeto. Reescrever uma frase custa minutos; reescrever um fluxo em produção custa semanas. Todo o desenho da metodologia empurra as decisões para cá, onde errar é barato.

Fase 2 — Greenlight

A aprovação formal. Público, mercado, tom, distribuição e orçamento declarados e registrados; o Número Corsoo atribuído; o compromisso financeiro assumido. Capítulo próprio a seguir.

Fase 3 — Pré-produção

O roteiro vira plano: decupagem, storyboard, escaleta, plano de execução. Ao final, todos os departamentos têm o que precisam para trabalhar em paralelo. Capítulo 10.

Fase 4 — Produção

Execução fluxo a fluxo, passo a passo. O kanban opera no nível do passo. Se um fluxo bloqueia, outro é produzido — as dependências já estão mapeadas, não há surpresa. Capítulo 11.

Fase 5 — Pós-produção por fluxo

Cada fluxo entregue entra em pós-produção independentemente, ao longo de toda a produção — não é um gate único no final. A validação tripla decide. Capítulo 13.

Fase 6 — Corte Final

O produto completo e integrado. Primeiro o corte do diretor — a primeira versão inteira, revisada tecnicamente. Depois o corte final — a versão aprovada para entrega.

Fase 7 — Estreia

Deploy, lançamento, entrega ao público. O projeto sai da produção e entra no seu estado operacional. A missão da logline, validada pela jornada do herói, está no mundo.


O deadline é sagrado — e é por isso que se replaneja às claras

No cinema, a data de estreia é anunciada antes da primeira cena ser filmada. O Corsoo herda a atitude: o prazo derivado da escaleta é compromisso, não decoração.

Quando a realidade muda — e muda —, o caminho não é deixar o prazo apodrecer em silêncio até a véspera. É registrar: a variância aparece no Slate dia a dia (days_variance), o bloqueio aparece com data e motivo, e o replanejamento — quando necessário — é feito por emenda, com novo prazo aprovado por quem aprovou o original.

A diferença entre um projeto atrasado no Corsoo e um projeto atrasado no cemitério das metodologias não é o atraso. É que no Corsoo todo mundo soube em tempo real, com evidência, e a decisão de replanejar foi consciente. Atraso documentado é gestão; atraso descoberto é negligência.


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